Sua nota fiscal está sendo rejeitada? O que mudou em 3 de agosto
A reforma tributária saiu do debate e travou operação. Nota sem os campos novos não é autorizada.
Se a sua empresa tentou emitir uma nota nas últimas semanas e ela voltou rejeitada, provavelmente não é bug do sistema. É a reforma tributária chegando na operação.
Desde 3 de agosto de 2026, documentos fiscais eletrônicos emitidos por empresas do regime regular precisam trazer preenchidos os campos de IBS e de CBS. Quando esses campos vêm vazios ou incompletos, a autorização não sai: a validação rejeita o documento automaticamente.
O que exatamente precisa estar na nota
Os campos correspondem aos dois tributos que a reforma cria: o IBS, que vai substituir ICMS e ISS, e a CBS, que vai substituir PIS e Cofins. Neste momento eles entram com uma alíquota-teste de 1% no total, dividida em 0,1% de IBS e 0,9% de CBS.
A adequação de leiaute está descrita na Nota Técnica 2025.002, na versão 1.40. É esse o documento que o seu fornecedor de ERP precisa ter implementado.
O ponto que costuma gerar pânico à toa
Esse 1% não é cobrança. O cálculo, nesta fase, é informativo: não há efeito tributário desde que a obrigação acessória seja cumprida corretamente. A finalidade é testar o sistema, calibrar as bases e dar tempo de todo mundo se ajustar antes de valer dinheiro de verdade.
Ou seja: o risco de agora não é pagar tributo a mais. É não conseguir faturar. Para uma empresa que emite nota todo dia, isso é pior.
O que fazer se a sua nota está voltando
- Confirme com o fornecedor do ERP qual versão da NT 2025.002 está implementada. Se não for a 1.40 ou superior, o problema está aí.
- Cheque se o cadastro de produtos e serviços tem a classificação tributária necessária para preencher os campos novos. Muita rejeição vem de cadastro incompleto, não do emissor.
- Rode um lote de teste em homologação antes do próximo pico de faturamento. Descobrir isso no dia 30 do mês é caro.
O que isso antecipa
Essa etapa é um ensaio. Em janeiro de 2027 a CBS passa a substituir PIS e Cofins de fato, e o IBS inicia a substituição gradual de ICMS e ISS. O que hoje é campo informativo vira apuração com efeito financeiro.
Quem tratar a fase de teste como burocracia vai chegar em 2027 com cadastro sujo e processo não testado. Quem usar esses meses para arrumar a casa chega com o sistema calibrado e sem sobressalto.
Fontes: Comitê Gestor do IBS, comunicado sobre o marco de 3 de agosto · Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2025 · Nota Técnica 2025.002 v1.40 (ENCAT)